sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sr. Capitalismo

Curvem-se diante de mim, caso contrario serão meus inimigos. Quem não está comigo certamente está contra mim. 

Mas é claro que, isso não é de todo o mal, sendo que assim, tenho oportunidade, através da minha força, de tomar-lhe a metéria que alimenta meu poder. 

Meu modelo pressupõe infinita expansão, e isso por que tenho fé na ciência, o braço forte da modernidade,  que irá reproduzir as vezes do universo e enlatar seus frutos, claro que com menor custo, menor tempo e com mais sabor. - Sr. Captalismo.


Homens escravos e homens livres

Defeito principal dos homens ativos – Aos homens ativos falta habitualmente a atividade superior, quero dizer, a individual. Eles são ativos como funcionários, comerciantes, eruditos, isto é, como representantes de uma espécie, mas não como seres individuais e únicos; neste aspecto são indolentes. – A infelicidade dos homens ativos é que sua atividade é quase sempre um pouco irracional. Não se pode perguntar ao banqueiro acumulador de dinheiro, por exemplo, pelo objetivo de sua atividade incessante: ela é irracional. Os homens ativos rolam tal como pedra, conforme a estupidez da mecânica. – Todos os homens se dividem, em todos os tempos e também hoje, em escravos e livres; pois aquele que não tem dois terços do dia para si é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito.

                   Friedrich Nietzsche, Humano, Demasiado Humano, pag. 283

Comissão da verdade e suas críticas

Parei para pensar um pouco sobre o assunto comissão da verdade e sobre as críticas feitas quanto aos seus objetivos. Essas críticas me parecem surgir no sentido de anulação dos atos opressores (por parte dos militares) em face da resistência (por parte dos dispostos a lutar pela liberdade) que também cometeu crimes. Mas é claro que aqui caímos em uma lógica controversa, nos valendo do ditado “chumbo trocado não dói”. A real questão, a qual ninguém se refere e alguns não pensam por incapacidade de raciocínio ou simplesmente por conveniência, é que a resistência ao opressor é justamente um efeito colateral da opressão, já que ela não existiria em situações ditas como normais. Com esse pensamento somos levados a pergunta: Então a resistência tudo pode?! Na minha opinião não. Porém não sou ingênuo o suficiente para acreditar que a resistência deve ser feita com paz, amor e troca de rosas, já que o sistema opressor tem como objetivo eliminar possíveis lideres da resistência e não abre espaço para diálogo. A resistência tem o propósito de resistir ao sistema opressor e com isso enfraquecer seu poder, ou seja, ela só deve atentar contra o poder.

O livro 1984, de George Orwell, tem uma passagem bem interessante nesse sentido, onde o personagem O’Brian ( até então membro da resistência ao totalitarismo, sistema o qual se passa a história) pede ao personagem Winston (o qual queria fazer parte da resistência) o que ele estava disposto a fazer para derrubar o poder, e nisso incluía-se torturar, matar, desfigurar crianças, espalhar doenças e outras atrocidades em prol do enfraquecimento o totalitarismo vigente. Winston se diz disposto a tudo, mesmo que, aparentemente, tendo consciência de que o “vale tudo pelo poder” era exatamente a tática do regime opressor. Por fim, revelar-se-ia que o “vale tudo” nada mais é do que o poder pelo poder, e o que mudaria com uma contra revolução seria apenas a figura do déspota da vez.

Ora, claro que esse pensamento nos parece radical, mas em tempos de guerra, pessoas desconhecidas não tornam-se nossos maiores inimigos e perdem sua humanidade? Ao menos isso é o que a propaganda de guerra tenta fazer com que a população acredite. Isso se aplica a nazistas, a comunistas, a capitalistas e qualquer outro fracasso social chamado de “sociedade ideal”. Então, voltando ao assunto anulação do peso da opressão simplesmente por existir resistência é um pensamento ridículo e sem profundidade que muitos cospem por ai com tanta veemência que alguns ficam na dúvida e outros acreditam sem ponderar. A resistência nada mais é do que a lei de ação e reação ou, me repetindo, um indesejado efeito colateral da opressão, um câncer que tenta corroer e desmantelar o sistema totalitário.

Uma das mais relevantes observações sobre o holocausto, vistas como grande crítica, feita por Aannah Arendt e por Zygmunt Bauman, foi a incapacidade de resistência do povo Judeu, que mostrou-se apatico e esperançoso, racional de mais ante a irracionalidade desumana nazista, como observa Bauman, mesmo face a face com a morte nos guetos e campos de concentração. Logicamente, o assunto holocausto, não é tão simples assim e tem toda uma “arquitetura de controle” que levou a subserviência e colaboração dos oprimidos para a desumanização deles próprios perante a sociedade européia e perante seus.
Também acho apelativo chamar a ditadura de “ditabranda”, afirmando que comparada com outras ditaduras a nossa foi leve e suave. Então eu pergunto: E dai? E logo lembro da citação de  Ludwig Wittgenstein:
Nenhum clamor de tormento pode ser maior que o clamor de um homem.
Ou, mais uma vez, nenhum tormento pode ser maior do que aquilo que um único ser humano pode sofrer.
O planeta inteiro não pode sofrer tormento maior do que uma única alma.
Não é por que matou menos que é melhor. Se matou e torturou, essa comparação de números é relevante pra quem? Talvez para a história, mas para a mãe que perdeu o filho ou para o filho que perdeu o pai a afirmação “matou menos” não deve ser nada acolhedora. E talvez só não se matou mais por que a situação não permitiu, mas aqui já passa a ser especulação. Ainda na questão podemos tirar do Amor Líquido de Baumam a seguinte citação:
A negação da dignidade humana deprecia o valor de qualquer causa que necessite dessa negação para afirmar a si mesma. E o sofrimento de uma única criança [ser humano] deprecia esse valor de forma tão radical e
completa quanto o sofrimento de milhões. O que pode ser válido para omeletes [referinfo-se ai ditado que para fazer um omelete precisamos quebrar alguns ovos] torna-se uma mentira cruel quando aplicado à felicidade e ao bem-estar humanos.
Concluo que o papel da resistência é importante e necessária em sistemas totalitários, que em tempos democrático poderíamos chamar de oposição livre e também necessária no contexto democrático. Poderia também dizer, como li por ai, que a resistência já teve seu julgamento in loco,  sofrendo torturas ou pagando com a vida, mas isso me soaria demasiadamente apelativo, julgado como ladainha aos olhos de quem esbraveja com sangue nos olhos “bandido tem que morrer!”, e tais grupos resistentes, por sua vez, eram bandidos pelo simples fato de existirem segundo as leis vigentes na época. Porém, certamente alguns nada sofreram (ao menos não como queria o regime), então prefiro ficar ao lado do pensamento racional e ponderado, que me leva a crer que a reação não existiria sem a ação.

domingo, 28 de setembro de 2014

Eu, meus pensamentos e uma noite de chuva

A verdade é que nunca mais te encontrei.

Mesmo te procurando em outros rostos, outros olhares, outras bocas, outros beijos, outros corpos.. mesmo vasculhando cada gesto, cada palavra, cada sensação, cada nuance de sentimento;

A verdade é que temo nunca mais te encontrar, nem mesmo em você mesma;

A verdade é que te reinventei tornando-te meu lar.. tornando-te minha esperança.. a realização do meu sonho.. o porto seguro da minha dúvida.. o abrigo do meu desamparo..

Se o amor não existe,  por que existirá uma vontade tão poderosa? uma atração tão contundente? uma força que move meu querer.. meu espirito.. Terá razão Aristófanes quando disse que uma metade me falta? Que somos apenas metade a procura da completude?

Já faz muito tempo.. tanto tempo exilado, tanto tempo escondido.. tanto tempo mas não o bastante.. não para ofuscar teu sorriso fácil, doce e lindo.. tua contagiante alegria com gosto de ontem. Tanta água já passou por esse rio.. mas teu perfume continua vivo, intenso, insuportavelmente tentador.. quanta tolice.

Hoje, como em incontáveis vezes, te encontrei num bilhete velho, simples, banal, uma bobagem assinada te amo.

Hoje te encontrei naquela música que me lembra você.. e são tantas, e são tão belas, e são tão fáceis.. que sempre me brindam.

Hoje te encontrei num sonho bom, onde a realidade era quase a mesma de agora, exceto uma vírgula substituindo um ponto... ah, que virgula bem vinda, como é bom acordar com o teu gosto..

Hoje te encontrei nessas palavras.. nesse texto.. no meu pensamento.. nesses versos tortos que mexem apenas comigo.. que fazem sentidos apenas na minha cabeça, diante das minhas lembranças e circunstâncias.. na liberdade de expressar-me sem um alvo definido, sem entregar a verdade para quem lê, se é que alguém lerá!

E você quem é? é real ou um devaneio, fruto do meu exílio?

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Justo universo

O mundo terá tantos pesos e tantas medidas quanto o número de cabeças pensantes que nele existirem. Se o pluralismo parece um fim inevitável através do caos, o totalitarismo é um inevitável fim através da ordem justificando a morte da vida. Quando a frase - O home é a medida de todas as coisas - for compreendida e aceita na mesma medida em que cada ser é um universo singular, particular e impenetravel, o ser humano finalmente se ajustará no universo e perceberá que ele, o universo, sempre lhe foi justo, o que não era, era sua própria percepção.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sobre o destino

Trecho retirado do livro  Medo líquido p.173 - Zygmunt Bauman sobre destino:

A idéia de "destino" implica não tanto na natureza peculiar dos golpes que traz quanto a incapacidade humana de prevê-los, que dirá previni-los ou controlá-los. Implica a impotência e o infortúnio das vítimas, mais que a particular crueldade do dano e da perda. O "destino" destingue-se dos outros desastres por atacar sem aviso e por ser cego àquilo que suas vítimas fazem ou deixam de fazer para escapar aos seus golpes. O "destino" sempre representou a ignorância e a impotência humanas, e devia seu poder tremendamente assustador a falta de recursos de suas vítimas.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ser comum, ser mais um..

Ser comum, ser mais um.. 
Mais um rosto, mais um nome, mais um número..  mais um compondo a multidão sem rosto..
Sem grandes qualidades ou grandes defeitos..
Sem grandes amores ou grandes paixões.. 
Não tão inteligente nem tão pouco tão estupido...
Nem grandes nem pequenos sonhos,  grandes ou pequenos objetivo, grandes ou pequenas ambições..
Sem grandes opiniões mas nunca em cima do muro..
Não fede, não cheira.. Não fode nem sai de cima...
Não fica estagnado e não vai até o fim.. 
Nem beleza nem a falta dela chamam atenção.. sempre passa despercebido.. Não alto de mais, não baixo de mais, não gordo de mais, não magro de mais..
Egoísmo controlado, falso.. Bondade condicionada ao seu mascarado egoísmo.. 
Felicidade dosada, alegria num conta gotas..
Raiva escondida, ressentimento forte porém tímido, incapaz de levar a cabo seus planos ..
Era tão comum que o mundo engolia suas vontades.. Suas vontades apequenavam-se em meio a potência das coisas, das pessoas, das vidas, dos mesmos, dos "parecer", dos "querer ser", dos desejos..
Nada em si próprio lhe parecia exagerado, nada de excêntrico, nada de diferente, nada de interessante, nada de sublime, nada de admirável..
Sua originalidade parecia-lhe pouco original, pouco confiavel, pouco paupável, pouco penetravel, pouco consumível, pouco durável..
E assim ele viveu, sem saber se certo ou errado, sem ser melhor ou pior, sem esperar ou prometer..
E assim ele ficou, nada lhe parecia ser certo ou errado, nada parecia ser melhor ou pior do que já era, nenhuma espera ou promessa era de fato real ou durável..

Qual a graça do comum? Por que não ser mais um?

 Ordinário, mesquinho, sem graça, descartável, líquido, indesejavel, desagradável, superficial, com vínculos de laços frouxos..
Facil de esquecer, facil de não lembrar, dificil de perdurar, impossível de aceitar..
Essas seriam sua qualidades desqualificadoras.. as qualidades que contrapõe a existência de qualidades... as qualidades que excluem as qualidades.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Pontos finais

Sem pontos finais cada novo capitulo torna-se desnecessariamente confuso, cercado de expectativas, de poréns, vindos do capitulo anterior. Pontos finais devem ser estabelecidos para que a história fique mais leve, separando claramente suas decisões, as decisões alheias e  as decisões pela causalidades.

Lirirsmo #14

Desejos, desejos e mais desejos

Desejo de ter, desejo de ser;
Desejo ter tudo em um único olhar e, ao mesmo tempo, que meu nada seja tudo para esse olhar;
Desejo ser o êxtase, e a assim como uma poderosa droga, penetrar na mais intima fantasia;
Desejo o prazer animal, aquele que distancia-me da realidade racional e entrega-me a realidade desejada, forjada pela vontade da natureza;
Desejo o céu e a terra, nada menos me parece justo;
Desejo apreciar o mel, mesmo sem jamais conhecer o gosto do fel;
Desejo chegar ao ápice do prazer e lá luxuriosamente permanecer;
Desejo de ter, desejo de ser;

Realidade

Culpar seja quem for seja o que for, não mudará minha realidade, apenas anestesiará brevemente minhas dores.

Dia cinza

Quem tem o poder de transformar seus duas cinzas em lindos dias de sol, tem igual poder de transformar belos dias ensolarados em sombrios dias cinzentos.. mesmo que em pensamento ou sonho.


..
O amor não idealizado não é amor.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Lirismo #12 - Sombras

As sombras de um amor podem perdurar enquanto os raios de outro não brilharem o suficiente para esconder-lhe sua idealização, ofuscando com isso sua forjada beleza.

Discussão pela discussão

É frustrante pensar que a verdade que em nós habita, nossa verdade, aquelas nascidas de nossas conclusões, analises e observações do mundo, habitem somente dentro de nós, sem chances de serem libertas ou compartilhadas com o mundo. Ora, de que serve uma verdade se não para ser posta em prova em uma discussão pelo simples prazer da discussão?

Moralidade e desejo

Enquanto o senso de moralidade precisa de reflexão, observação e ponderação, o desejo simplesmente está ali, sustentando cada construção de pensamento, impelindo a alma para longe do seu próprio senso de moralidade esculpido com o tempo. As duas coisas parecem distintas, parecem não pertencerem ao mesmo ser, sendo que um parece-nos certo, parece-nos a solução para um bem viver, enquanto o outro nos parece o próprio bem viver em cada situação onde se apresenta, mesmo que esta vá na contramão da nossa moralidade.

Verdades cruas

Viva de aparências se for capaz. Abdique-se da verdade em nome das relações. Ou melhor! Relacione-se com a mentira! A verdade tem um alto custo, tornando-nos horas carrasco, horas ingrato e horas fraco, isso depende dos ouvidos que a escutam. Em nome da boa relação?! Minha verdade proclamada poucas vezes é a mesma verdade ouvida e digerida (pelo sistema digestivo da crença é claro). "Boas relações" são sustentadas por pequenas mentiras, elas não suportam a verdade crua, a banal verdade. "Boas relações" não significam relações verdadeiras. Para quem o sentimento não usa mascaras, a verdade não trás tantos louros como proclamam muitos por ai. Se nem pequenas emoções consigo eu esconder, disfarçar, ignorar.. o que farei com o resto?

Lembranças persistentes

Sua lembrança já hoje desvanecida, menos vívida e menos leve do que foi outrora, em meio a vontades, desejos e distância - distância essa da alma é claro, que é de longe mais intransponível e cruel que a do plano físico -, é o retrato do devaneio, da perfeição não cabível na realidade, aquela da imaginação, da expectativa amarga da realização infielmente perseguida. O amor involuntariamente morre, ou do nosso meio é arrancado, ele não sabe esperar e vagueia em meio a confusão, tornando-a ainda mais confusa. A espera do amor é a ilusão da autopiedade, a ilusão do amanhã colorido, da esperança que destrói o momento. Depois de morto ele, o amor, pode apenas renascer com toda sua beleza, todo seu frescor, toda sua leveza, não pode ser retomado de onde parou. Caso não renasça e não tenha um substituto a altura, seus restos mortais (a incomoda lembrança da felicidade que passou, da leveza de outrora), serão usados como combustível por uma cega insatisfação que insiste em não aceitar o fim.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Paixões

Dizem que nossas paixões obrigam nosso pensamento a caminhar em um circulo vicioso

                - O retrato de Dorian Gray, Oscar Wild

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Respingos de causalidade

Viver com as sobras da causalidade, sem conhecer-se realmente, sem conhecer seu próprio potencial e sem saber onde quer ou pode chegar. Contentar-se em suportar a vida, sem grandes metas, sem grandes planos, sem grande fascino por ela. Contentar-se com aparências, com futilidades, com pequenas coincidências que parecem indicar um caminho. Contentar-se com conversas pequenas, com almas pequenas. Abraçar o destino e suas causas, arrastando sua habilidade de criar oportunidades para o buraco. Não ter ideia de que as oportunidades são criadas por você e não são alheias a você. Quem um dia já penetrou na causalidade e mergulhou em seu denso oceano jamais se contentará com seus respingos.

Lirismo #11 - Teorias da paixão

Dizer-se apaixonado por caráter, beleza, bondade ou inteligência são apenas boas explicações para o inexplicável. Apaixonamo-nos pela essência, o conjunto das coisas, sem explicações compreensíveis, sentimo-nos arrebatados sem poréns, sem mas... apenas queremos ser e estar enquanto o tempo deixar.

Lirismo #10 - Antes de ter

Quanto tinha nada eu tinha tudo.
Quando tive um pouco logo quis mais..
Quanto tive muito, por achar pouco, pus tudo a perder..
Com isso, ao não ter muito nem pouco, perdi o tudo fruto do nada de outrora ..
E assim fiquei eu, em meio a incompleta significância do meu tudo perdido e meu nada encontrado.

Lirismo #9 - Um dia..


Um dia eu pensei amar.. mas vi que não era e logo despertei..
Um dia eu amei.. logo fui despertado e com lembranças fiquei..
Um dia eu pensei.. e quando olhei.. tarde de mais, o amor já havia escapado..
E quando voltou.. já não havia mais espaço para suas loucuras, parecia-me demasiado vulgar, demasiado pesado, diferente de sua costumeira leveza.. outra vez me enganei..
Eu e o amor, o amor e eu, um dia nos encontramos?! quem sabe..
Talvez um dia nos acertamos, mas até lá, brincamos e nos enganamos.

Lirismo #8 - Amor, Palavra

Amor; Palavra simples, com pretensões de transcrever sentimentos diversos, confusos, inexplicáveis;
Amor; Palavra pequena, que trás consigo o peso do que não cabe mais em palavras, da vontade presa na garganta que não conhece outra forma verbal de manifestar-se;
Amor; Palavra pesada, carregada de promessas e deveres, desejos e vontades, sonhos e realidade.
Amor; Palavra controversa.. uns exaltam outros mal dizem, uns acreditam outros duvidam.. mas cada um vive-o como sabe.

O amor proferido tem peso pra quem ouve, que recebe a boa nova como uma divida, uma promessa.. a eternidade é tão sentida quanto mentirosa.. e a mais dura das promessas a ser quebrada.

O amor dos amantes sabe chegar, sabe agradar, sabe prometer, sabe acalentar.. mas também sabe sair com pés de lã, silenciosamente, deixando um vão escuro e doloroso com sua partida.

"Eu te amo!", quando ainda preso, não dito, torna-se um dos segredos mais difíceis de guardar, sendo tão natural que quase escapa, tão forte que decide por si só, parecendo que, a qualquer momento, ele sairá, graciosamente flutuando por ai, espalhando  sua vontade de perpetuar-se.

Lirismo #7 - Arrependimentos

Relativo arrependimento! relativo a que? já não mais lembro eu..
Se lembro.. talvez não queira acreditar.. recusando-me a aceitar tamanha distorção..
Culpa do medo, da liberdade ou da busca pela felicidade?
Certamente cada um tem sua parcela de culpa..
Vez que outra, furtam-me o que de mais precioso tenho: O agora!
Vez que muitas, convido-lhes para entrarem e delicio-me com seu doce veneno..
Vez que sempre, lhes expulso com fogo nos olhos..
Vez que sinto, com água nos olhos imploro para que fiquem..
São tão certos quanto certeza, e como tal, melhor não mastigar..
Nada oferecem além de dúvidas, cada uma parecendo tão certeira quanto a morte, ao menos quando lhes convém..
Quem sabe talvez.. uma hora talvez, o medo sussurre, e a feliz liberdade transcreva minha verdade menos mentirosa.. e quem sabe, quem sabe talvez, por ser porta voz eu mesmo, eu não acredite em mim mesmo, outra vez..
Ora, como confiar em tamanha confusão?

Lirismo #6 - A espera



Perdido em mim mesmo sinto-me esperando..
A espera do que  nem eu mesmo sei, então repreendo-me: A vida é agora, a vida é aqui! 
Porém, a percepção do momento se perde no caminho turbulento que já nem lembro desde quando atravesso com tanta pressa, ou desde quando espero..
Mudança pequena, essa da percepção, mas deve ela transformar-se em sentimento.. e ai que está o X da questão. Domar o indomável.. adestrar o sentido.. quem sabe um dia eu ainda consigo.

Lirismo #5

Bocas nuas

Corpos entrelaçados, bocas nuas, pensamentos despidos, respirações descompassada, desejos complacentes. O que se é e o que se quer ser já não mais importa. O desejo da pele é mais voraz do que a mais contundente filosofia, não precisa ser interpretado, discutido ou raciocinado, apenas vivido.

Flerte ou paixão?

Todo flerte é um jogo de vaidades.. luxuria espalhando sua lascividade  descompromissada.
Diferente é a paixão, um jogo de egoísmo.. onde promete-se o mundo, e espera-se o céu.

Menos mal que tem fim

Vida! Querer, não querer.. findável não saber de uma certeza só.

Única certeza, talvez

A duvida só termina quando a vida acaba.

Com entender?

Tudo quero quando nada posso..  já quando tudo posso, nada mais quero.

Fagulha

Uma pequena fagulha de passado mal resolvido já basta para incendiar o seu, até então, intransponível, seguro e protetor muro de serenidade construido com  bases de certezas relativas.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

"ter para viver" ou "viver para ter"

    Vivemos em uma sociedade que inverteu os valores do próprio viver. Hoje, a vida em si não é mais vista como um fim, mas sim como um meio. Um meio de realizações profissionais, realizações interpessoais, realizações materiais.. ou qualquer outro tipo de realização possível e imaginável. Ora, as realizações terrenas por assim dizer, vontades e desejos, não passam de "adornos" que, cada vez com mais frequência e maior peso cobrem o objetivo primordial da vida, que é o de viver.
    Todos esses adornos deveriam ser vistos como meios para um bem viver, e não permitir que esses sufoquem a vida e a enfraqueçam em meio aos afazeres, metas e objetivos, deixando de lado o "eu", o autoconhecimento e a atenta reflexão acerca do próprio viver, dos conceitos morais incondicionais que regem nossas atitudes. Mas como podemos notar, e talvez seja esse o maior problema do mundo descontrolado e imprevisivelmente perigoso, lascivo e volúvel em que vivemos, o conceito de moral incondicional parece estar fora de moda, ultrapassado, e cada vez mais perde força diante de uma vida dinâmica, repleta de "oportunidades" que, misturadas a falta de sentido, viram uma perigosa combinação.
    Se a construção de valores morais comuns não é possível diante da adversidade humana e cultural, talvez deva-se reformular esse conceito, e instituir, mesmo que por decreto, "valores  morais" que preservem a vida, ou, a "vontade de potência" de Nietzsche, que independe da valorização da sociedade mas vai de encontro a valorização do ser diante dele mesmo (já que a sociedade, apesar da impessoalidade que sua conotação trás, somos nós, cada um de nós!) e  não que preservem o enriquecimento, ou o consumismo, ou o capitalismo, ou uma ideia distorcida de futuro e bem viver por vezes apresentada no caminho em que trilhamos.

Impessoalidade politica

Identifico como um dos grandes problemas da política como sendo a impessoalidade por ela assumida diante das pessoas. Quando falamos de política, parece que falamos em algo pronto, algo intangível, que até certo ponto tem vida própria, não tem jeito nem solução. A impessoalidade através da qual ela se apresenta é pouco convidativa para uma participação generalizada e para a existência de uma preocupação coerente com a gravidade da sua importância. 

A política não nos atinge na hora do discurso, nas promessas, e nem mesmo na descoberta da corrupção, isso atinge apenas nossas vontades de ter ou de ser, apenas nossos brios. A política nos atinge no dia a dia, nas coisas banais, nas entrelinhas do cotidiano. Os grandes problemas por ela gerados são pequenos desconfortos que fazemos vista grossa, empurramos com a barriga até que esses pequenos problemas fiquem pesados de mais, virem monstros incontroláveis, abstratos, que carecem de soluções complexas e inteligentes, que envolvem engajamento de todos. Porém, nem todos estão dispostos a isso, a dedicar-se aos problemas, por que agora, como eles são grandes de mais, e "minha" atitude por si só não faz diferença, então jogamos a culpa no governo, ou na sociedade ou em outras coisas que parecem nos fugir do controle (quem são esses se não nós mesmos?! Existe alguma força política, social, organizacional além do homem?). Com isso, grande parte dos interessados (nós) tiram o corpo fora, por acharem-se insignificantes diante do problema, diante do sistema, causando a proliferação dos problemas e putrefação dos mesmos.

Outro fator está ligado a responsabilidade moral de cada um de nós. A impessoalidade da política parece envolver os praticantes da mesma em um escudo contra julgamentos morais. Agindo por de trás de uma instituição, os que efetivamente fazem a roda da política girar, ou de fato são suas engrenagens, escondem-se por detrás de um estado corrupto, atrás de uma política corrupta, como se a política ou o estado por si só pudesse ter alguma qualidade do gênero. Até mesmo quando pensamos que o problema da política é o povo corrupto, apesar de certa verdade, caímos na impessoalidade de uma designação. Ora, vamos dar nomes aos bois! A culpa é nossa, da nossa falta de engajamento, falta de interesse, pelo nosso deixar acontecer, da falta de compromisso e do enfraquecimento dos valores morais mais nobres (ou até seu desaparecimento!).
 
São tantos cargos, que a maioria sabe apenas o nome do presidente, o resto são apenas designações políticas, que agem através de uma sombra sem obrigações morais, sem cobranças efetivas. Nós, seres sociais, contrariando o que se espera, desaprendemos a forma de fazer política, os seu primordial objetivo: Uma facilitadora nas relações interpessoais, provendo a justiça e o bem estar através do estado e não transformar o estado em uma maquina de produção, onde o objetivo é o controle social visando o enriquecimento do estado e de quem dele se beneficia (e certamente não é a maioria de nós, mas poucos que escondem-se atrás de classes sociais mais elevadas, e por isso, acima da moralidade por auto julgamento).

A solução para os monstros construidos através de séculos só será possível quando for uma questão pessoal para cada um de nós, quando a moralidade e a ética de cada um tiver força suficiente para ponderar por suas atitudes e assumir suas responsabilidades perante os outros seres humanos. E sim, isso aprende-se na escola, aprende-se no berço familiar, aprende-se desde as primeiras relações sociais as quais somos submetidos. Isso chama-se responsabilizar-se pelo que se faz ao invés de colocar a culpa em algo inatingível (como numa designação), que por sinal, é algo que mostra-se extremamente difícil em uma sociedade formada por caráter duvidoso. Quando o caráter é fortemente moldado qualquer problema que insinue ferir-lhe é tido e resolvido como pessoal.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Visões utópicas

Um dos problemas com as ideologias políticas e sociais utópicas é que elas não preveem o homem como sendo o que é: parte irracional, altamente corruptível, ganancioso, perverso e com uma predisposição a tirania, capaz de mudar seus valores (ou mascaras) diante das adversidades ou "oportunidades", já que aos olhos de seu engenhoso super ego, arrogante e prepotente, suas intenções sempre lhe parecerão nobres, isso por que o mesmo é o centro de seu próprio universo, e para poucos o instinto de auto preservação é menor do que o extinto de preservação da espécie visto que apenas uma linha de interpretação os separam e, nesse caso, podem parecer conflitantes.

O prisma das possibilidades


A causalidade transforma-se em oportunidade quando a percepção enxerga através do prisma das possibilidades. Caso contrario, os acontecimentos não passarão de bobagens, empecilhos ou coisas sem importância. Cabe a nós selecionar, lapidar e transformar as pedras que surgem em nosso caminho.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Inquietações

Nossas inquietações, ou problemas, distribuem-se como se numa pilha,  a qual sempre está um passo a nossa frente. Quanto maior a inquietação sobre o prisma de nossas percepções, mais alta é sua posição no topo da pilha que, com certa frequência, é redesenhada dando prioridade a inquietações mais significativas de acordo com o momento em que vivemos. Por mais que minha pilha pareça pequena aos olhos do outro ou mesmo a pilha do outro me pareça pequena e pouco nobre, cada um só tem a sua própria pilha como medida, pois é a única coisa que sentimos na pele. O meu maior problema, mesmo que insignificante para muitos, é a pedra no sapato que me faz mancar.
Agora, cabe a mim distinguir, separar e dar a importância necessária as minhas inquietações, descobrir as verdades e mitos que compõem a essência de cada uma, dar o espaço para que elas cresçam ou sufoca-las diante da descoberta de suas verdades, suas inverdades, significâncias e insignificâncias.

Minhas verdades, minhas dores

As verdades, julgamentos ou simplesmente percepções de outrem acerca de nossa pessoa tornam-se uma afronta contra nossa moral, autoestima e/ou vaidade no momento em que essas "verdades" vem ao encontro de nossas verdades pessoais mais ocultas e são reconhecidas como certezas por elas, aquelas que tentamos esconder de nós mesmos, aquelas que, envergonhadas, nunca saem a luz. Como se colocando o dedo em uma dolorosa ferida, a qual escondidos e solitários, cuidamos a muito tempo para que ninguém as veja ou sequer desconfie de sua existência. Se há intenção ou não de ferir, isso já não mais importa, ao sentir a carne cortada e todo nosso esquema de segurança e de autopreservação desmantelado. Isso provoca reações exageradas, quase sempre incompreensíveis aos envolvidos no julgamento, que não tem a mínima noção da profundidade das crenças e dores por eles fustigadas.

Compreensão ou especulação?

A pessoa correta faz o que está de comum acordo entre sua vontade e sua moral, não permitindo que haja discrepâncias relevantes entre suas atitudes e seus pensamentos. Porém é um erro dessa pessoa, ou nosso, pensar que os outros tentarão, ou mesmo deverão, decifrar essas atitudes procurando seus motivos mais verdadeiros e/ou até mesmo mais nobres. Todos interpretarão usando suas próprias crenças pessoais e percepções criadas com base em quem toma tal atitude, livres de qualquer obrigação de compreende-la em sua totalidade. É fácil julgar sem sair da zona de conforto, seguro nos próprios pensamentos, nas próprias crenças, na própria moral. Difícil é colocar-se no no lugar do outro, tentando entender a nuance dos pensamentos entrelaçados nas atitudes, isso requer esforço, dedicação, coragem e por fim, mas não menos importante, a capacidade de analise desinteressada, manter-se a certa distância de suas crenças pessoais no processo de tal analise. Se você não espera compreensão não se decepcionará quando não for compreendido. Quem de fato pode ser compreendido? Quem de fato pode compreender o que leva uma pessoa a fazer o que faz e como faz? Nossa compreensão dos outros me parece não passar de especulação, onde cada um é dono de de certa verdade, e em posse dessa verdade, sai por ai batendo seu (nosso) "martelo" de julgamentos.

Extinção das crenças

A extinção de crenças  sobrenaturais, que de alguma forma explicam a metafísica, deixam recair todo o peso  das decisões, ou até mesmo da vida, em nossos ombros, bem assim como suas consequências: os fracassos e sucessos. Sem destino, sem objetivos, nada além do homem, nada além da terra. Alguns precisam da segurança trazida pela crença em algum Deus, ou destino ou até em seres superiores vindos de outros planetas.. desde que se tem notícias a humanidade é assim. Outros ainda preferem a liberdade de criar sua história sendo o Deus de si mesmo. A escolha está entre a segurança da transcendência e a solidão do universo desconhecido, mesmo que pouco se saiba acerca dessas duas escolhas.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Amor Líquido - O amor e o desejo

     Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com a aquisição deste e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se destrói, o amor se autoperpetua.
Tal como o desejo, o amor é uma ameaça ao seu objeto. O desejo destrói seu objeto, destruindo a si mesmo nesse processo; a rede protetora carinhosamente tecida pelo amor em torno de seu objeto escraviza esse objeto. O amor aprisiona e coloca o detido sob custódia. Ele prende para proteger o prisioneiro.
      Desejo e amor encontram-se em campos opostos. O amor é uma rede lançada sobre a eternidade, o desejo um estratagema para livrar-se da faina de tecer redes. Fiéis a sua natureza, o amor se empenharia em perpetuar o desejo, enquanto este se esquivaria aos grilhões do amor.
                                               
                                                              - Amor Líquido - Zygmunt Bauman

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Aforismos #4 Da causa ao pensamento

O castigo dos amantes

A impessoalidade é o pior do castigo entre dois amantes.

Poema dos tolos

O mais belo poema só toca a quem  consegue traduzir suas palavras através de suas mágoas.

Saborosa doença

Depois de provado o gosto de uma ardente paixão, qualquer sentimento não prejudicial será tido como insuficiente.

Amor moribundo

Esquecer é preciso mesmo lutando para lembrar, mesmo não querendo o amor desvanecer. Parece-nos inconcebível que, mesmo depois de órfão o amor deixe de existir; a esperança agarra-se na cura do amor moribundo.

Viver é preciso

Apenas o tempo nos faz esquecer o que, de tão bom, não quer ser esquecido.

O pecado da razão

Minha filosofia apesar de entender, julgar e solucionar, comete o pecado de acha-se superior aos meus instintos e minha loucura; dos sentimentos.

Lirismo #4 Mentiras da lembrança


O tempo ofusca a lembrança embaralhando o sentido.. todas aquelas expressões, olhares, palavras ou gostos que lembravam alguém já não são tão nítidos, tão reconhecíveis, como se não mais dela fossem, como se fossem lembranças inventadas, apenas mentiras. Mas o sentimento, tão morto quanto fraco pensa não mais existir, e quando acorda assustado e preguiçoso, como quem cochila, ainda é forte tal qual outrora.

Lirismo #3 Desvendando-me

Assim como o senhor de uma antiga civilização, queria transcrever-me como sou, cada fluxo de pensamento, cada nota de sentimento. Noutra época, tal qual um astuto descobridor, encontrar meu tempo.. criar teorias em busca de respostas, tênues linhas de compreensão.. e mesmo em meio a confusão, acreditar nos meus motivos, racionalizar minha loucura e sentimentalizar minha razão.

sábado, 12 de abril de 2014

Lirismo #2 - Da causa ao pensamento


Parecido e único

Novo ou velho, o amor tem gosto parecido,
assim como a unicidade que não deixa cada um ser esquecido.

Não fuja em vão

Só se permita fugir do mundo para renascer..
através de novos pensamentos,
através de novas emoções,
através de novas percepções,
transbordando com uma leve profundidade,
uma inocente malícia que só a morte em vida trás.

Submundo do pensamento

Dias cinzas aparecem parecendo sem motivos..
Breve devaneio.. um pequeno descuido e a mente já está no submundo dos pensamentos..
Sentindo como se lá fosse seu aconchegante lar..

As dores do poeta

Assim como problemas, pensamentos e opiniões tocam fundo nas feridas do próprio poeta, ou aquém sentir-se machucado por suas palavras. Um poeta sem dores não machuca. O poeta transforma suas dores, através das palavras, nas dores do mundo.

Previsível razão, aventureiro sentimento

Óh, Prepotente razão! Sempre achando que pode solucionar todos meus problemas, todos meus anseios. Na retórica com os sentimentos vê sua pequenez, sua falta de sensibilidade que distancia-a da alma.
Onde a razão diz ser loucura, o sentimento diz ser paixão;
Onde a razão cala-se por medo da dúvida, o sentimento paga pra ver;
Onde a razão repudia, o sentimento acolhe;
Onde a razão diz não fazer sentido, o sentimento guia seguramente com sua cega loucura.

Lirismo #1 - Da causa ao pensamento

Desejos duráveis

Eternos desejos, todos desejam..
Eternos ao olhos, todos se sentem..
Difícil manter, desejos desejáveis..
E ser desejável.. além do durável..

Dois dias..

Dois dias ao menos.. talvez ela pense.. dois dias num ano.. no tempo de nós..
Dois dias quem sabe.. dois dias talvez.. eu passe sem ela.. fugindo do nós..

Ó passado

No escuro do silêncio lembro-me do vicejo de outrora..
dos beijos e abraços, sorrisos e olhares..
da paixão e do eterno desejo..
hoje, quase por completo refeito, ainda trago uma saudade..
a vontade do meu novo encontrar-te ó passado.

Enquanto der

Amores amados, nunca são desperdiçados..
Aguçam os sentidos, a dois ou solitários..
Amados ou rejeitados.. Platônicos e imensuráveis..
Vividos e terminados.. doces inícios, amargos fins..
Que sejam eternos até que não mais sejam.

De perto e de longe

Ó desejada paixão..
de perto rouba-me com tua inebriante beleza.. extasia-me com teu gosto de eterno desejo...
de longe já não és tão bela.. daqui posso ver teu insano querer, tanto em dar quanto em receber..
é fácil perceber mas difícil não querer...

Ó incompreendido amor..
de perto cega-me com tua inquietante calmaria, teu mar de serenidade facilmente navegado pelas dúvidas..
de longe posso ver, em tua totalidade tua perfeição.. tua acolhedora companhia, teu desinteressado querer e ímpeto em dar..
é triste perceber mas difícil de manter...

Aforismo #3 - Tudo toca a vaidade demasiada

A vaidade causa interpretações demasiadas egoístas, cheias de falsas conclusões, como se o mundo girasse em torno de próprio nariz e como se todas as conversas intrinsecamente tratam-se de seus problemas.

Aforismo #2 - Alvo fácil

Quem frequentemente sente-se atingido, mesmo sem aparentes motivos ou intenções, possivelmente carrega um alvo tão fácil, esculpido por uma crença que cresce as custas do sofrimento, que sem perceber atira-se na direção das flechas lançadas por qualquer um.

Aforismo #1 - Amizade ou necessidade?

Nunca me pareceu difícil diferenciar amizade de necessidade. Acredito que, mesmo por vezes propositalmente enganando-me, sempre soube distinguir quem de fato é amigo e quem apenas, momentaneamente, precisa de alguma coisa, seja materialmente, intelectualmente ou espiritualmente. Me arrisco a pensar, dando um voto de confiança ao ser humano, que, em muitos casos, essa necessidade não é visível aos olhos de quem precisa, mas certamente em algum momento salta aos olhos de quem se deixa levar pela situação. Posso dizer ainda que todos, se já não tiveram, terão experiência nos dois lados. Quem precisa e usa, parece egoísta por preocupar-se apenas com suas necessidades e pouco dá para o bem da relação. Quem tem a oferecer, torna-se egoísta por alimentar seu próprio ego, alguns até chamariam isso de altruísmo, alimentando o egoísta que necessita de sua "caridade desinteressada", e com isso pretende tornar-se superior e necessário ao outro. No fim das contas todos perdem e a relação acaba por fenecer. O tempo determina, através do amadurecimento e fortalecimento do caráter ou de seu enfraquecimento, em que posição você sente-se mais confortável.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Os homens e seus problemas

Para o homem que viveu com um grande problema como um destino e cujos dias e noites são passados em diálogos e em resoluções solitárias, as opiniões de outrem sobre esse mesmo problema são uma espécie de zumbido do qual se defende tapando os ouvidos. Ouve a respeito, quando muito, indiscrição, incompetência e indecência da parte daqueles que, a seu ver, não tem direito a semelhante problema, por que não o descobriram. É nas horas em que se desconfia de si mesmo, de seu direito e de seu privilégio, que o apaixonado solitário - pois, todo filósofo é isso - deseja ouvir tudo que foi dito ou entendido por ocasião de seu problema; talvez perceba então que o mundo está repleto de apaixonados ciumentos como ele e que todo esse barulho, toda essa confusão, essa vida pública, todo esse desfile da política, da vida cotidiana, da feira, da "época", tudo isso parece ter sido inventado somente para permitir, ao que resta de solitários e de filósofos, dissimular-se atrás disso, no que constitui sua solidão própria; todos ocupados com uma única coisa, apaixonados por uma única coisa, ciumentos com uma única coisa: justamente seu próprio problema. "Só se pensa nisso hoje, por pouco que se pense", diz ele finalmente para si mesmo. "Tudo gira em torno desse mesmo ponto de interrogação. O que parecia ser reservado para mim é o que a época inteira ambiciona; no fundo, nada mais acontece;. eu mesmo - mas o que importa minha pessoa!"
                                     
                                           - Friedrich Nietzsche - Vontade de potência

sexta-feira, 21 de março de 2014

Riquesa esquecida

Todos nós somos mais ricos do que julgamos ser; mas somos ensinados a pegar emprestado e implorar. [E, no entanto] nós precisamos pouca doutrina para viver uma vida com tranquilidade.
                                             - Montaigne

terça-feira, 18 de março de 2014

Medo de morrer no outro

Maior que o medo da morte em si, é nosso medo de morrer no outro. Afinal, a morte física é apenas um processo natural que, até onde sabemos, nos leva de um estado consciente para o nada, então não me parece tão ruim ou assustador. Mas o que realmente preocupa as pessoas (nós) é como elas serão lembradas, se serão lembradas, por quem serão lembradas, que impacto a morte terá nas pessoas que a rodeiam e a amam. Sabemos que o único mundo que precisa essencialmente de nós é o nosso, o que criamos em nossa mente, e pensar que nossa morte não fará diferença para grande parte da humanidade é frustrante. Isso se mostra um grande egoísmo vindo de nós, pois se pudéssemos voltar do "além" provavelmente ficaríamos de mal com quem não deu a importância, que nós achamos merecida, ao acontecimento. Que diferença faz, ser exaltado, lembrado, revivido em lembranças? Seremos nada e nada mais terá valor. Bons exemplos, mal exemplos? Nada tem valor para quem se vai além do seu último suspiro de vida.

Trivialidades

O que seriam das conversas entre amigos ocasionais se não fossem as trivialidades da sociedade ou não fossem a observação e julgamentos da vida de outrem? Nem todos apreciam a profundidade desinteressada em uma conversa filosófica. Nem todos entendem que uma conversa profunda, com assuntos abstratos, também pode ser trivial e um tanto quanto mais saudável para a mente do que as trivialidades da sociedade pós-moderna. Para que ser profundo, não é? Quem gosta disso?! Falar sobre a morte, sobre o sentido da vida, sobre objetivos, sobre a mente.. Alguns te acham tolo, outros te ignoram.. Certamente esse é um dos motivos da reclusão dos filósofos.

Ressaca de decisões

Todas as magoas e angustias que trago no peito levam o carimbo da minha vontade. Óh, Impetuosa vontade! Decisões tomadas num único seco gole perpetuam-se em intermináveis ressacas. Voltar atrás parece simples, porem não justo. A vida segue e o tempo não refaz o que desfez, assim como amores não se recuperam, eles renascem.

O homem e suas medidas

O homem é a medida de todas as coisas. Frase essa cunhada pelo filósofo Protágoras, pode ser atribuída tanto para humanidade enquanto ser humano como para o ser humano enquanto humanidade. No caso da humanidade enquanto ser humano, chegamos a conclusão de que cada qual é único em desejos, vontades e percepções, os quais não podem ser compartilhados atomicamente, sem qualquer resquício de múltiplas interpretações providas por outrem. Bem assim como, todas as certezas e razões inventadas pelo ser humano enquanto humanidade só são válidas enquanto seus pensamentos e suas percepções existirem tais quais são, ou seja, não servem como certezas absolutas que, de alguma forma, poderiam reger as leis universais. Mesmo por que, o ser humano enquanto humanidade não passar de humanidade enquanto ser humano, logo, suas verdades e certezas são apenas um achismo comum sem muita credibilidade para ele mesmo. Isso caracteriza-se pela vontade de poder inerente ao vida humana, poder ser, poder ter, poder fazer e com isso sentir-se o senhor de si próprio.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A medida das coisas

O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.
                             - Protágoras, Sofista da Grécia Antiga

quarta-feira, 5 de março de 2014

Nunca somos o mesmo

Não cruzarás o mesmo rio duas vezes, porque outras são as águas que correm nele.
                                               - Heráclito de Efeso

terça-feira, 4 de março de 2014

A percepção do momento

Ao longo da vida, a única coisa que podemos controlar é a nossa percepção sobre o momento. Essa percepção, carregada de expectativas, é o que nos define tristes ou alegres, sortudos ou azarados, bons ou maus. Logo, para mudarmos nossa vida, basta mudarmos nossa percepção acerca do momento, deixando de culpar outras pessoas ou outros acontecimentos pelo que sentimos. O que sentimos, apesar de muitas vezes ser produzido inconscientemente passa por nossa razão pouco antes tornar-se livre e transformar-se em sentimento em nosso mundo, com isso temos uma chance de transformar qualquer percepção, transformar qualquer sentimento passando-o pelo crivo da razão e despindo-os de nossas crenças. Quando aprendermos a transformar nossa percepção do momento, de modo a interferir deliberadamente  em nossas sensações sobre ela, a percepção, aprenderemos a viver mais levemente e livres de culpas.

Ruptura amorosa

A ruptura amorosa corresponde a assistir a própria morte.
                        - Igor Caruso

sábado, 1 de março de 2014

Ser Parte

No fundo o que todos queremos não é apenas ser compreendido, mas sim que outros possam sentir o que sentimos, possam compartilhar da mesma dor, da mesma alegria, da mesma euforia. Que possam de fato usufruir do que temos a oferecer no bom e no ruim. Todos querem ter uma verdadeira conexão com alguma coisa, com alguém.. sentir-se parte de algo, sentir-se realmente importantes, engajados por um objetivo. Seria essa nossa busca primária nesse planeta desde que aprendemos a refletir e descobrimos nossa insignificante e controversa existência? Mesmo no isolamento buscamos algo maior, buscamos pensamentos superiores aos da sociedade mesquinha, paz de espírito, uma contemplação da vida que torna-se impossível com envolvimentos sociais. Em contato com a natureza parecemos fazer parte de algo maior, fazer parte do universo. E como não há nada ali capaz de nos julgar e nos fazer duvidar de nossas crenças, a ideia de completude me parece ser mais verdadeira ou pelo menos mais viva.

Julgamentos

Diante da nossa consciência  sempre conseguimos justificar nossos motivos, mesmo sendo eles questionáveis. Mesmo que as mesmas ações independentes dos motivos, quando praticadas por outros, sejam inaceitáveis. Mesmo que as justificativas sejam boas, quando não são nossas, ainda ficaremos em dúvidas e aceitaremos com ressalvas. Isso tudo por um simples motivo: Jamais conseguiremos julgar qualquer ação pelo seu valor real, ou pelo seu real motivador, por sua essência. Toda e qualquer ações é julgada por seus finais, seus desfechos e assim por diante. Isso mostra o quanto somos incapazes de julgamentos certeiros ou de um entendimento indivisível para com outrem. Mas, infelizmente, nós julgamos! Julgamos tudo e todos, nosso cérebro é feito para isso, para tomar decisões, julgar, escolher. Diante dessa força julgadora natural que nos acompanha, apenas nos resta entender a incapacidade da compreensão humana para não sermos tão hipócritas em nossos julgamentos, que querendo ou não, são influências por nosso ego, puxando assim a sardinha pro nosso lado.

O resultado das dores morais

Uma parte de mim são meus instintos, o que sinto sem querer, penso sem pensar. Outra de mim é minha razão, como eu quero ser, agir, pensar, no que acredito. E a outra parte é minha persona,  que não deixa transparecer toda minha loucura. Essas três forças constantemente estão em conflito, em desavenças de ideias, de sentimentos. Meus instintos são os mais cruéis, pois invadem minha mente a qualquer hora, a qualquer momento, provocando caos e conflito. Minhas crenças se recusam a saírem na luz da razão. Minha razão faz o intermédio entre meus instintos e minhas crenças, colocando sobre elas panos quentes, tirando do instinto meus motivos, dos sentimentos minhas razões, das minhas crenças meus traumas.

Bipolaridade

Me considero um ser estranho, mas acho que não mais estranho do que o resto da humanidade, já que sou fruto da mesma árvore. Em certos momentos sei exatamente o que quero, de onde vim e para onde vou, mas logo depois de poucos segundos ou de poucas palavras, já não sei mais, ou melhor, ainda sei, mas não mais acredito ou não mais consigo sentir. Como podem, coisas que não podemos controlar como influências externas se fazerem tão presentes e manipuladoras de nossos sentimentos? Por que somos frágeis a tal ponto? Como pode ser tão difícil não permitir que um pensamento que brota de uma parte desconhecida da  mente se transforme em sentimento, e de igual dificuldade transformar um pensamento deliberadamente pensado em sentimento? Acho que seria muito fácil apenas sentir o que quer, isso provavelmente acabaria com o conceito de sofrimento. Essas são perguntas que talvez nunca terão respostas por que, ao que me parece, o criador de tudo isso já deu no pé a muito tempo e não deixou qualquer manual de instrução para trás.

A causalidade das coisas

Em minha curta e efêmera passagem por essa vida, por esse planeta, aprendi que nada acontece por acaso. As coisas não "simplesmente acontecem" sem qualquer razão. E quando digo isso, não me refiro a nada cósmico, divino e/ou misterioso. Não me refiro a uma  razão fim, uma causa maior, mas sim uma razão inicio, uma sequencia de fatores que levaram ao dito acontecimento. A sorte não existe, O destino não existe! Achou triste?! Sem graça?! Eu acho isso ótimo! Diferente de muitos eu não me deprimo ou perco minhas esperanças ao saber que tudo que me acontece é debitado na minha conta, o débito é meu, a respirabilidade é minha. A única coisa que é certa é a incerteza (ou talvez nem ela?!), a impossibilidade de controle, a pura falta de prever o próximo segundo. O que chamam de destino ou puro acaso não é nada além de uma série de acontecimentos emaranhados, que passam por diversa vidas, diversas interpretações, diversas decisões que vão, que voltam e acabam ricocheteando em nós. Como na maioria das vezes não sabemos os caminhos tomados, não conseguimos desfazer os nós em meio ao caos e acreditamos ser o senhor destino batendo a nossa porte, a sorte ou o azar.

O que existe, e muita gente chama de sorte, é estar preparado para as situações. Alguns já nascem preparados, sempre estão prontos para as oportunidades geradas pela causalidade das coisas. Outros não, precisam se preparar, fazer o dever de casa. Outros não se preparam e ainda não se responsabilizam ao culparem o azar, que nada pode fazer para se defender a nãos ser inflar sua fama de mau.

Justiça?! Injustiça?! Claro que, muitas vezes, o que nos acerta parece uma bala perdida e nos pega de surpresa, coisas ruins ou boas aparecem inesperadamente por que a trama da causalidade tem sua origem na expansão do universo, pelo menos é que dizem e me parece coerente, e dai por diante não mais pode ser calculado.

E como viver assim? Não sei a resposta certa e acredito que não exista, mas um bom começo é receber cada ricochete da causalidade como uma oportunidade inesperada para fazer daquilo algo bom. E lembre-se, para existir o bom o mal deve existir e para existir a felicidade a tristeza deve ser provada.

Próximo de mais

O homem está tão próximo a ele mesmo que não consegue enxergar-se em sua totalidade, por isso  para ele, ou para nós, a amizade é de grande importância. Conhecemo-nos através dos olhos dos outros,  admiramo-nos através da admiração de outrem. Por isso o ato de compartilhar os momentos vividos é tão importante, isso mexe com nossos brios, nos faz sentir prestigiados e parte do nosso próprio show.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dores

É estanho sentir-se descartável, como sendo um profundo lago de sentimentos que deixa permitir conhecer apenas um dedo de profundidade, e ao mesmo tempo sentir que algumas pessoas são insubstituíveis, impossíveis de esquecer por completo ou, por que não dizer, de superar. Certamente isso mostra uma visão perturbada da realidade, uma crença revelando a escuridão de alguns pensamentos, que como de costume, não se mostram na luz. Algumas feridas não curam, apenas acostumamos com suas dores, as tornando imperceptíveis na maior parte do tempo, porém quando tropeçamos nelas, percebemos que ainda estão abertas e que não doem menos do que quando rasgaram a pele pela primeira vez.

Tudo são escolhas

Volta e meia, quando o passado me toma de assalto e invade meus pensamentos oferecendo um gole de sua convidativa e acolhedora nostalgia, sem perceber me perco em meio seus devaneios de possibilidades, aquelas  que apenas lembranças conscientes podem oferecer. Lembro-me de outras épocas, outras pessoas, outros sentimentos, os quais, por serem circunstanciais, torna-se ímpares. Aos ser "enganado" pelo próprio querer, sentimentos reais são despertados por lembranças ou ideias criadas como se tudo isso fosse ainda possível. Voltando a realidade penso em tudo que vivi de lá pra cá e como seria difícil escolher entre minha realidade vivida e minha realidade inventada, tantas outras pessoas, tantos outros amores, tantas outras revelações. As escolhas nos fazem refém do possível não realizado.

Proliferação do êxtase

A maioria das verdades que as pessoas cospem por ai não passam de autoafirmações, coisas que elas nem mesmo acreditam e/ou muito menos sentem. Se ao compartilhar um sentimento pudéssemos compartilhar a complexa trama que nos levou até ele, de modo ao receptor sentir o que sentimos, provavelmente toda essa proliferação de estados de êxtase seria reduzido drasticamente.  Em primeiro lugar por que grande parte dessas verdades não teriam procedência, existindo apenas como muleta para mentes fracas. Em segundo lugar por que ao revelarmos por completo nossa trama emocional, ficaríamos despidos diante dos receptores que captariam a nuance de nossa egoísta vaidade agindo em cada verdade lançada. Assim somos nós, sempre compartilhando vagas ideias mas nunca sentimentos.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Opiniões perturbadoras

Os homens não são perturbados pelas coisas, mas pelas opiniões que tem sobre elas.
                            Epiteto - Filósofo grego estóico

sábado, 25 de janeiro de 2014

O poder da música

A vida com trilha sonora, já pensou? A cada momento importante, ou menos importante, uma musica dando o tom e criando o clímax perfeito. Tenso, triste, melancólico, reflexão, descoberta, alegria, descontração, surpresa, divertido, paixão, desilusão, amor! Penso que cada um, apaixonado por música como eu, saberia exatamente o que escolher para cada ocasião, cada sentimento, cada pensamento. É estranho perceber como as musicas mexem de maneira diferente com nosso intimo, como conseguem despertar sentimentos escondidos, ocultos a nós mesmos, desenterrar antigas emoções. Talvez, para que uma musica nos arrebate, temos que estar com nossa energia vibrando na mesma frequência da musica, cada onda sistematicamente acompanhada pela música, numa perfeita simetria e pura contemplação desinteressada, criando um sentimento de transcendência indivisível e inexplicável. Seguindo essa ideia, a musica poderia ter o poder de mudar nossa vibração, a forma com que nossa energia flui, acompanhando sua melodia de acordo com o que ela nos transmite, com o que nos desperta. Ou talvez, de maneira mais simplista e mais provável, ela ativa alguma parte do nosso cérebro que desencadeia uma lembrança ou uma sensação. Particularmente prefiro acreditar na vibração da energia, mesmo que talvez não seja certo, certamente é mais poético!

Reinventa-te

Ah! Quem me dera que, como uma árvore, a cada estação eu pudesse me refazer, renascer, ressurgir com novos ares. Assim como a árvore, a cada nova estação, aproveitar de maneira diferente os recursos disponíveis na natureza, fornecidos pelo mundo, interagir de forma diferente, mas não menos intensa, como o universo, ser parte do todo sem qualquer pressão alheia as minhas reais intenções: Viver!
Ora, que bobagem! Não percebes que, diferentemente da árvore que tem uma vida longa e lenta, tua vida é curta, rápida, volátil, acontece em um piscar de olhos. Não percebes que podeis, a qualquer momento, mudar inteiramente tuas percepções e interpretações para com o mundo? Renascer e se refazer em menos de um segundo! Pensa quantas vezes isso já te aconteceu. Não muitas? Então repense tua forma de viver, pois alguma coisa não está certa. Decerto tua vida, ou melhor dizendo, tua mente é como uma velha casa, e tu és um dono descuidado, que com o passar do tempo, torna teus cômodos cheios de quinquilharias, velharias inúteis que insistes em não se desfazer, tornando cada mudança demasiada cansativa, demorada, sem pontos e cheia de vírgulas, um movimento insustentável. Tu queres saber um segredo simples? Mantenha tua mente enxuta! Enxuta de crenças, flexível, sem verdades absolutas, sem certezas absolutas, não deixe teu ego inflar a ponto de transformar tua vaidade numa fera sem controle. Não espere de mais, não acredite de mais. Acredite no agora, tenha certeza de a cada dia viver o que te agrada, o que te faz feliz. Quando não te agradar mais, não te fizer mais feliz, reinventa-te! Ninguém pode fazer isso por ti, ninguém pode sentir o que sentes, livra-te das amarras dos planos, das expectativas, do egoísmo, da vaidade! Tudo isso é peso desnecessário em tua curta existência, em tua complexa existência sem sentido conhecido. Construa teu sentido! Seja forte, seja breve, seja intenso, não como uma árvore, mas como o ser humano que és! Descubra quem tu quer ser e simplesmente seja!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Filosofia Schopenhauer

No sistema de Schopenhauer, a vontade é a raiz metafísica do mundo e da conduta humana; ao mesmo tempo, é a fonte de todos os sofrimentos. Sua filosofia é, assim, profundamente pessimista, pois a vontade é concebida em seu sistema como algo sem nenhuma meta ou finalidade, um querer irracional e inconsciente. Sendo um mal inerente à existência do homem, ela gera a dor, necessária e inevitavelmente, sendo aquilo que se conhece como felicidade, por conseguinte, apenas a interrupção temporária de um processo de infelicidade e somente a lembrança de um sofrimento passado criaria a ilusão de um bem presente. Para Schopenhauer, o prazer é momento fugaz de ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de partida de novas aspirações, sempre obstadas e sempre em luta por sua realização: “Viver é sofrer”.

Perdas e prejuízos

Neste mundo dos fenômenos há tão poucos prejuízos verdadeiros possíveis, quanto verdadeiros lucros.
                 Arthur Schopenhauer - O mundo como vontade e representação

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Eterna angústia

De todas as palavras tristes de língua ou caneta, O mais triste são estes: ‘Poderia ter sido!’              
               Muller Maud - John Greenleaf Whittier

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Agora

Compartilhar. Ser ouvido. Sentir-se parte. Ser alguém. Interferir na causalidade do universo. Isso é viver. Essa é nossa natureza. O abismo entre a vontade e o poder. A insaciável e fracassada busca pela compreensão. Que diferença faz? Quando tudo acabar. Que diferença irá fazer? Quando as curtinas fecharem. Será que alguma coisa realmente valerá a pena? Que diferença faz?! O que vale é o agora. A felicidade. O prazer. A vontade satisfeita. O prazer consumido. Tudo é agora. Nada pode ser planejado. Não é você quem decide quando termina. Não é você quem decide quando começa. Você não sabe quando a última frase será dita. O último sorriso. O último abraço. A única coisa que podemos fazer é aceitar a realidade. Aceitar o agora. Contentarmo-nos com o que temos. Usar e abusar do que temos. Buscar mais?! Sim, mas usar e abusar do que temos! Aproveite o que é seu. A vida. O tempo não para. O tempo não volta. A vida não congela. A morte não espera.

As raizes do homem

Passa-se com o homem o mesmo que com a árvore. Quanto mais quer crescer para o alto e para a claridade, tanto mais suas raízes tendem para a terra, para baixo, para a treva, para a profundeza - para o mal.
                       Friedrich Nietzsche - Assim falou Zaratustra