quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Bom Coração

Até mesmo quando, conscientemente em uma situação, não queremos ganhar nada ou pensamos em não ganhar com o intuito de praticar uma ação nobre, na verdade, estamos fortalecendo nosso ego, nosso poder diante do ajudado, alimentando nossa vaidade e nosso egoísta sentimento de compaixão, e isso tudo as custas de quem aparentemente ajudamos de bom grado. Então, antes de achar-se superior por ajudar o próximo ou por ter um bom coração, pense intimamente nos seus reais motivos com tal ação. Com isso, tal ação, se tornará o que de fato é, e não o que automaticamente pensamos ser. Isso não é desmerecer a ação de ajudar, mas sim entende-la verdadeiramente e coloca-la em seu devido lugar em nossa percepção. Não nos enganemos com nosso incontrolável egoísmo que, além de mover as nossas ações, cria lindos enfeites para elas, disfarçando-as, para que fiquem belas o bastante, de modo que agradem nosso pecado mais necessário, a vaidade.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Vegetação da Felicidade

Bem perto da dor do mundo e muitas vezes sobre seu solo vulcânico, o homem cultivou seu pequeno jardim de felicidade. Que se considere a vida com os olhos do homem que só quer o conhecimento de seu ser, ou daquele que se entrega e se resigna, ou daquele que sente prazer na dificuldade vencida - em toda parte se encontra alguma felicidade que cresceu ao lado do infortúnio - e tanto maior será a felicidade quanto mais vulcânico for o solo - seria simplesmente ridículo dizer que por essa felicidade o próprio sofrimento é justificado.
                         Friedrich Nietzsche - Humano, Demasiado Humano

sábado, 19 de outubro de 2013

Um amor, um lugar

O meu inferno é o céu pra quem não sente culpa de nada.
                                       - Herbert Vianna. Um amor, um lugar

Percepção sobre a mudança dos outros

Antes de julgarmos a mudança de uma pessoa, temos que refletir sobre os aspectos que podem ser os causadores dessa nossa mudança de pensamento. Por exemplo, quando mudamos o nível de intimidade, seja para mais ou para menos, nos relacionamentos, temos a tendência de pensar que a pessoa do outro lado mudou, mas na verdades nós que passamos a vê-la com outros olhos, assim como passamos a ser vistos diferentemente. Algumas pessoas tornam sua real profundidade ou superficialidade perceptível apenas através da intimidade. Outra coisa que pode afetar essa percepção são as emoções envolvidas, bem assim como a intensidade dessas emoções. Certas emoções embebedam nossa razão e alteram nossas percepções de julgamento, dando e/ou tirando a importância de acordo com os sentimentos e intenções envolvidas. Todo julgamento tem relação com a situação, tem intima ligação com nosso egoísmo, nossa vaidade e nossos preconceitos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Nossa fera interior

Se pudéssemos controlar nossa fera interior, essa que domina nosso ser quando bem entende, a vida seria muito mais fácil, simples e calma. Porém, com tal nível de constância e previsibilidade, essa nova forma de viver se tornaria por si só uma fera silenciosa e devastadora que destruiria nossos dias, mais do que aquela outra fera que causa grande estardalhaço. A beleza da vida está na inconstância, nas incertezas, nas possibilidades e nas conquistas.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Chico e suas afirmações

É desconcertante rever o grande amor.  
                         - Chico Buarque, Anos Dourados

Abstração das aflições

As pessoas geralmente se incomodam quando conseguimos ver de longe nossas grandes aflições e falar sobre elas de maneira abstrata e generalista. Com isso, nota-se que nossas grandes aflições abstraídas, apenas sua essência, também doem em quem as ouve, também tocam no seu íntimo. A verdade perturba e pode desequilibrar mentes fracas. Por isso temos que encara-las e aceita-las, e não empurra-las pra debaixo do tapete.

Intimidade

É um erro acreditar que a intimidade possa deixar alguém mais atraente. Pelo contrário, ela acaba com a ilusão da possível perfeição que ludibria os primeiros encontros.

Amor não correspondido

Não importa o quanto você ama se não for correspondido. Sua dor será apenas a constatação da sua fraqueza, dependência e medo da solidão, digna de pena mas não de pensamentos amistosos ou calorosos.

A sombra do passado

Uma ironia da vida é que quando queremos que acontecimentos do passado se façam presente novamente, e lutamos para que isso se torne possível, dificilmente conseguimos tal qual vislumbramos em nossas expectativas. Porém, quando desistimos dessa ilusão, o passado volta para nos assombrar e tirar nosso sono.

Romances

Em grande parte os romances acontecem por forças do momento. Previamente não tem quaisquer intenções de acontecer, mas por uma combinação de fatores como perdas, sobras, faltas, fracassos, medos, desencontros, desilusões e abandonos tornam-se possíveis. Isso não é destino, mas sim pura causalidade.

Aos olhos dos outros

Se nós mesmos, grande parte do tempo, não temos certeza do que sentimos, como podemos nos preocupar ou levar a sério o que os outros, superficialmente, pensam a nosso respeito?

O Egoísmo

O egoísmo nos faz querer o mal em benefício de nosso bem estar físico e mental.

A troca no relacionamento

Um relacionamento é uma constante troca de poderes. Hora se está "por cima", sendo o desapegado, hora se está "por baixo", sendo o apegado. Quem permanece muito tempo no papel de desapegado pode facilmente achar-se superior, desdenhar da situação e colocar tudo a perder, e na troca de papeis seguinte, ver que seu apego já não é de grande importância.

Inconstância

A inconstância e falta de controle do nosso ser é tão grande, que as vezes basta um nome, uma foto ou uma lembrança para que seu humor, maneira de pensar e motivação mudem d'água para o vinho em poucos segundos.

O Realista

O realista é aquele que consegue equilibrar-se entre a euforia do sucesso e o desânimo do fracasso constantemente sofridos prematuramente.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Nossas relações

Vivemos em um tempo onde as perdas são escondidas, não podem ser sentidas intensamente pois se escondem atrás de uma "superação obrigatória", onde todos devem ser cada vez melhores, querem cada vez mais superar tudo o mais rápido e nada pode ofuscar a busca pela felicidade completa. A tristeza ou a solidão não pode ser degustada (isso mesmo, degustada!), pois você pode ser considerado depressivo, e certamente precisará de tratamento e remédios que te levam a uma não realidade. Nas redes sociais, sua vida deve ser perfeita, sem dores, sem dúvidas e sem humanidade. Vivemos na geração que esconde a crise da falta de relações humanas criando mais falsas relações. A geração que tenta viver um mundo livre tão sonhado e vislumbrado na década de 60 e 70, porém sem drogas, sem poder esconder-se da realidade por meios licito, pois apesar de banais, as drogas hoje são as causadoras de todo o mal (isso enquanto não gerarem imposto). Como mérito do esforço, fortalecemos o monstro do capitalismo e consumismo, capazes de esconder nossos vazios e verdades atrás de bens materiais e/ou cargos profissionais. Criamos as redes sociais, escondendo nossa incapacidade nas relações humanas, normalmente complexas e cheias de autos e baixos, atrás de relações virtuais, sem muitos compromissos, liberais, sem profundidade, totalmente flutuantes e sem graça.

Verdades e Certezas

Todas as verdades e certezas não passam de mera especulação.

O ilusório querer

O querer é tão ilusório que embota o ter com suas falsas expectativas, deixando nossas conquistas menos saborosas, carregadas de obrigações.

Ser especial

O problema em pensar que se é especial, é que a vida, a todo momento prova o contrário