Sua lembrança já hoje desvanecida, menos vívida e menos leve do que foi outrora, em meio a vontades, desejos e distância - distância essa da alma é claro, que é de longe mais intransponível e cruel que a do plano físico -, é o retrato do devaneio, da perfeição não cabível na realidade, aquela da imaginação, da expectativa amarga da realização infielmente perseguida. O amor involuntariamente morre, ou do nosso meio é arrancado, ele não sabe esperar e vagueia em meio a confusão, tornando-a ainda mais confusa. A espera do amor é a ilusão da autopiedade, a ilusão do amanhã colorido, da esperança que destrói o momento. Depois de morto ele, o amor, pode apenas renascer com toda sua beleza, todo seu frescor, toda sua leveza, não pode ser retomado de onde parou. Caso não renasça e não tenha um substituto a altura, seus restos mortais (a incomoda lembrança da felicidade que passou, da leveza de outrora), serão usados como combustível por uma cega insatisfação que insiste em não aceitar o fim.
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