Todos nós somos mais ricos do que julgamos ser; mas somos ensinados a
pegar emprestado e implorar. [E, no entanto] nós precisamos pouca
doutrina para viver uma vida com tranquilidade.
- Montaigne
sexta-feira, 21 de março de 2014
terça-feira, 18 de março de 2014
Medo de morrer no outro
Maior que o medo da morte em si, é nosso medo de morrer no outro. Afinal, a morte física é apenas um processo natural que, até onde sabemos, nos leva de um estado consciente para o nada, então não me parece tão ruim ou assustador. Mas o que realmente preocupa as pessoas (nós) é como elas serão lembradas, se serão lembradas, por quem serão lembradas, que impacto a morte terá nas pessoas que a rodeiam e a amam. Sabemos que o único mundo que precisa essencialmente de nós é o nosso, o que criamos em nossa mente, e pensar que nossa morte não fará diferença para grande parte da humanidade é frustrante. Isso se mostra um grande egoísmo vindo de nós, pois se pudéssemos voltar do "além" provavelmente ficaríamos de mal com quem não deu a importância, que nós achamos merecida, ao acontecimento. Que diferença faz, ser exaltado, lembrado, revivido em lembranças? Seremos nada e nada mais terá valor. Bons exemplos, mal exemplos? Nada tem valor para quem se vai além do seu último suspiro de vida.
Trivialidades
O que seriam das conversas entre amigos ocasionais se não fossem as trivialidades da sociedade ou não fossem a observação e julgamentos da vida de outrem? Nem todos apreciam a profundidade desinteressada em uma conversa filosófica. Nem todos entendem que uma conversa profunda, com assuntos abstratos, também pode ser trivial e um tanto quanto mais saudável para a mente do que as trivialidades da sociedade pós-moderna. Para que ser profundo, não é? Quem gosta disso?! Falar sobre a morte, sobre o sentido da vida, sobre objetivos, sobre a mente.. Alguns te acham tolo, outros te ignoram.. Certamente esse é um dos motivos da reclusão dos filósofos.
Ressaca de decisões
Todas as magoas e angustias que trago no peito levam o carimbo da minha vontade. Óh, Impetuosa vontade! Decisões tomadas num único seco gole perpetuam-se em intermináveis ressacas. Voltar atrás parece simples, porem não justo. A vida segue e o tempo não refaz o que desfez, assim como amores não se recuperam, eles renascem.
O homem e suas medidas
O homem é a medida de todas as coisas. Frase essa cunhada pelo filósofo Protágoras, pode ser atribuída tanto para humanidade enquanto ser humano como para o ser humano enquanto humanidade. No caso da humanidade enquanto ser humano, chegamos a conclusão de que cada qual é único em desejos, vontades e percepções, os quais não podem ser compartilhados atomicamente, sem qualquer resquício de múltiplas interpretações providas por outrem. Bem assim como, todas as certezas e razões inventadas pelo ser humano enquanto humanidade só são válidas enquanto seus pensamentos e suas percepções existirem tais quais são, ou seja, não servem como certezas absolutas que, de alguma forma, poderiam reger as leis universais. Mesmo por que, o ser humano enquanto humanidade não passar de humanidade enquanto ser humano, logo, suas verdades e certezas são apenas um achismo comum sem muita credibilidade para ele mesmo. Isso caracteriza-se pela vontade de poder inerente ao vida humana, poder ser, poder ter, poder fazer e com isso sentir-se o senhor de si próprio.
quarta-feira, 12 de março de 2014
A medida das coisas
O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.
- Protágoras, Sofista da Grécia Antiga
- Protágoras, Sofista da Grécia Antiga
quarta-feira, 5 de março de 2014
Nunca somos o mesmo
Não cruzarás o mesmo rio duas vezes, porque outras são as águas que correm nele.
- Heráclito de Efeso
- Heráclito de Efeso
terça-feira, 4 de março de 2014
A percepção do momento
Ao longo da vida, a única coisa que podemos controlar é a nossa percepção sobre o momento. Essa percepção, carregada de expectativas, é o que nos define tristes ou alegres, sortudos ou azarados, bons ou maus. Logo, para mudarmos nossa vida, basta mudarmos nossa percepção acerca do momento, deixando de culpar outras pessoas ou outros acontecimentos pelo que sentimos. O que sentimos, apesar de muitas vezes ser produzido inconscientemente passa por nossa razão pouco antes tornar-se livre e transformar-se em sentimento em nosso mundo, com isso temos uma chance de transformar qualquer percepção, transformar qualquer sentimento passando-o pelo crivo da razão e despindo-os de nossas crenças. Quando aprendermos a transformar nossa percepção do momento, de modo a interferir deliberadamente em nossas sensações sobre ela, a percepção, aprenderemos a viver mais levemente e livres de culpas.
sábado, 1 de março de 2014
Ser Parte
No fundo o que todos queremos não é apenas ser compreendido, mas sim que outros possam sentir o que sentimos, possam compartilhar da mesma dor, da mesma alegria, da mesma euforia. Que possam de fato usufruir do que temos a oferecer no bom e no ruim. Todos querem ter uma verdadeira conexão com alguma coisa, com alguém.. sentir-se parte de algo, sentir-se realmente importantes, engajados por um objetivo. Seria essa nossa busca primária nesse planeta desde que aprendemos a refletir e descobrimos nossa insignificante e controversa existência? Mesmo no isolamento buscamos algo maior, buscamos pensamentos superiores aos da sociedade mesquinha, paz de espírito, uma contemplação da vida que torna-se impossível com envolvimentos sociais. Em contato com a natureza parecemos fazer parte de algo maior, fazer parte do universo. E como não há nada ali capaz de nos julgar e nos fazer duvidar de nossas crenças, a ideia de completude me parece ser mais verdadeira ou pelo menos mais viva.
Julgamentos
Diante da nossa consciência sempre conseguimos justificar nossos motivos, mesmo sendo eles questionáveis. Mesmo que as mesmas ações independentes dos motivos, quando praticadas por outros, sejam inaceitáveis. Mesmo que as justificativas sejam boas, quando não são nossas, ainda ficaremos em dúvidas e aceitaremos com ressalvas. Isso tudo por um simples motivo: Jamais conseguiremos julgar qualquer ação pelo seu valor real, ou pelo seu real motivador, por sua essência. Toda e qualquer ações é julgada por seus finais, seus desfechos e assim por diante. Isso mostra o quanto somos incapazes de julgamentos certeiros ou de um entendimento indivisível para com outrem. Mas, infelizmente, nós julgamos! Julgamos tudo e todos, nosso cérebro é feito para isso, para tomar decisões, julgar, escolher. Diante dessa força julgadora natural que nos acompanha, apenas nos resta entender a incapacidade da compreensão humana para não sermos tão hipócritas em nossos julgamentos, que querendo ou não, são influências por nosso ego, puxando assim a sardinha pro nosso lado.
O resultado das dores morais
Uma parte de mim são meus instintos, o que sinto sem querer, penso sem pensar. Outra de mim é minha razão, como eu quero ser, agir, pensar, no que acredito. E a outra parte é minha persona, que não deixa transparecer toda minha loucura. Essas três forças constantemente estão em conflito, em desavenças de ideias, de sentimentos. Meus instintos são os mais cruéis, pois invadem minha mente a qualquer hora, a qualquer momento, provocando caos e conflito. Minhas crenças se recusam a saírem na luz da razão. Minha razão faz o intermédio entre meus instintos e minhas crenças, colocando sobre elas panos quentes, tirando do instinto meus motivos, dos sentimentos minhas razões, das minhas crenças meus traumas.
Bipolaridade
Me considero um ser estranho, mas acho que não mais estranho do que o resto da humanidade, já que sou fruto da mesma árvore. Em certos momentos sei exatamente o que quero, de onde vim e para onde vou, mas logo depois de poucos segundos ou de poucas palavras, já não sei mais, ou melhor, ainda sei, mas não mais acredito ou não mais consigo sentir. Como podem, coisas que não podemos controlar como influências externas se fazerem tão presentes e manipuladoras de nossos sentimentos? Por que somos frágeis a tal ponto? Como pode ser tão difícil não permitir que um pensamento que brota de uma parte desconhecida da mente se transforme em sentimento, e de igual dificuldade transformar um pensamento deliberadamente pensado em sentimento? Acho que seria muito fácil apenas sentir o que quer, isso provavelmente acabaria com o conceito de sofrimento. Essas são perguntas que talvez nunca terão respostas por que, ao que me parece, o criador de tudo isso já deu no pé a muito tempo e não deixou qualquer manual de instrução para trás.
A causalidade das coisas
Em minha curta e efêmera passagem por essa vida, por esse planeta, aprendi que nada acontece por acaso. As coisas não "simplesmente acontecem" sem qualquer razão. E quando digo isso, não me refiro a nada cósmico, divino e/ou misterioso. Não me refiro a uma razão fim, uma causa maior, mas sim uma razão inicio, uma sequencia de fatores que levaram ao dito acontecimento. A sorte não existe, O destino não existe! Achou triste?! Sem graça?! Eu acho isso ótimo! Diferente de muitos eu não me deprimo ou perco minhas esperanças ao saber que tudo que me acontece é debitado na minha conta, o débito é meu, a respirabilidade é minha. A única coisa que é certa é a incerteza (ou talvez nem ela?!), a impossibilidade de controle, a pura falta de prever o próximo segundo. O que chamam de destino ou puro acaso não é nada além de uma série de acontecimentos emaranhados, que passam por diversa vidas, diversas interpretações, diversas decisões que vão, que voltam e acabam ricocheteando em nós. Como na maioria das vezes não sabemos os caminhos tomados, não conseguimos desfazer os nós em meio ao caos e acreditamos ser o senhor destino batendo a nossa porte, a sorte ou o azar.
O que existe, e muita gente chama de sorte, é estar preparado para as situações. Alguns já nascem preparados, sempre estão prontos para as oportunidades geradas pela causalidade das coisas. Outros não, precisam se preparar, fazer o dever de casa. Outros não se preparam e ainda não se responsabilizam ao culparem o azar, que nada pode fazer para se defender a nãos ser inflar sua fama de mau.
Justiça?! Injustiça?! Claro que, muitas vezes, o que nos acerta parece uma bala perdida e nos pega de surpresa, coisas ruins ou boas aparecem inesperadamente por que a trama da causalidade tem sua origem na expansão do universo, pelo menos é que dizem e me parece coerente, e dai por diante não mais pode ser calculado.
E como viver assim? Não sei a resposta certa e acredito que não exista, mas um bom começo é receber cada ricochete da causalidade como uma oportunidade inesperada para fazer daquilo algo bom. E lembre-se, para existir o bom o mal deve existir e para existir a felicidade a tristeza deve ser provada.
Próximo de mais
O homem está tão próximo a ele mesmo que não consegue enxergar-se em sua totalidade, por isso para ele, ou para nós, a amizade é de grande importância. Conhecemo-nos através dos olhos dos outros, admiramo-nos através da admiração de outrem. Por isso o ato de compartilhar os momentos vividos é tão importante, isso mexe com nossos brios, nos faz sentir prestigiados e parte do nosso próprio show.
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