quarta-feira, 29 de maio de 2013

A vida e o tempo



 A vida e o tempo

A vida dá, o tempo tira.
A vida lembra, o tempo desvanece.
A vida sofre, o tempo trás a cura e a força.
A vida para, o tempo continua.
A vida ilude, o tempo revela.
A vida controla, o tempo foge.
A vida pede, o tempo decide.
A vida procura, o tempo mostra.
A vida quer que dure, o tempo aperta o passo.
A vida quer que passe, o tempo reduz a velocidade.
A vida grita, o tempo silencia.
A vida não valoriza, o tempo mostra a importância.
A vida deixa de lado, o tempo leva embora.
A vida silencia, o tempo cobra.
A vida esquece, o tempo relembra.
A vida perde, o tempo recompensa.
A vida pergunta, o tempo responde.
A vida aprende, o tempo ensina.
A vida acaba, o tempo transcende.

Por Ricardo Bocchi

terça-feira, 28 de maio de 2013

Bons tempos


Bons tempos aqueles, onde o objetivo principal era a brincadeira e a diversão, onde não nos preocupávamos com horários ou com os estereótipos da sociedade. Um tempo onde éramos o centro de um universo simples, perfeito e acolhedor. Sim, nós todos tivemos esse tempo, um tempo onde facilmente nos esquecíamos de brigas, magoas e não tínhamos ressentimentos, onde não alimentávamos pensamentos e emoções negativas, apenas queríamos viver o momento, onde as coisas mais simples nos deixavam realmente satisfeitos.

Feliz é quem cresce e consegue conservar uma boa parte dessa "filosofia" de vida, mas o problema é que a maioria de nós se esquece de como viver assim, quando a tal da responsabilidade imposta pela vida bate a porta começamos a pensar de mais nas coisas, nos preocupamos de mais com o que os outros pensam ou fazem, temos que correr contra o relógio para garantir um "bom" futuro e deixamos de viver o hoje pensando em viver um futuro que nunca chega de fato.

Quando pensamos de mais, nos preocupamos, planejamos, geramos expectativas desnecessárias, muitas vezes irreais, e consequentemente, nos frustramos, e com isso, cada vez mais nos distanciamos do que realmente importa, nos distanciamos daquela criança sem malícia e preocupações, esquecemos que temos o controle da nossa própria vida, que somos o centro de nosso universo, que esse universo particular de cada um, por mais habitado de coadjuvantes que seja, tem apenas um ator principal.

Muitas vezes por não nos acharmos bons atores, nos subestimamos e inutilmente tentamos colocar outros atores nesse papel principal, e passamos a ver nossa vida através de uma janela, acompanhando como espectadores, sem controle, infelizes e desperdiçando o tempo precioso que nos resta, sem entender que nosso universo particular só será perfeito quando assumirmos que no fim, os créditos do show serão nossos independentemente de um espetáculo bom ou ruim, longo ou curto, que no fim quem deve ficar feliz e orgulhoso com tudo que foi vivido, somos nós mesmos.

Para finalizar, vamos nos fazer a seguinte pergunta para refletir:

A criança que você foi se orgulharia da pessoa que você é hoje?





segunda-feira, 13 de maio de 2013

A ânsia


A ânsia.. Insana companheira da vida, que nos prega peças, nos faz acreditar fervorosamente nela, e depois de influenciar decisões, nos apresenta a verdadeira realidade, nua e crua, muitas vezes tirando nosso chão, nosso norte, nos deixando assim perdidos em meio a seu mar de desejos e vontades, suas brincadeiras de mau gosto e suas revelações que viram nosso mundo do avesso.

Ânsia nada mais é do que viver entre o passado e o futuro, entre o "se eu tivesse" e o "na próxima eu faço", desviando nossa atenção do que realmente interessa, o agora. Hoje, exatamente esse segundo é tudo o que temos, é com isso que podemos contar, é com ele que devemos nos preocupar, mas se a ânsia estiver controlando a situação, esse segundo vai passar despercebido, segundos após segundos, transformando-se em minutos, horas, dias, semanas, meses, anos.. e por fim, a vida num piscar de olhos.

A ânsia é nosso medo de perder ou não aproveitar os momentos, medo de perder pessoas importantes, nossa preocupação com o que os outros pensam, com os padrões que a sociedade nos impõe, com nossas limitações físicas, mentais e estéticas. Sem percebermos, ela nos prende ao passado, tornando-o um porto seguro diante da assustadora realidade das mudanças. Ela ainda nos faz viajar, mesmo que inutilmente, para o futuro, onde podemos vislumbrar uma vida plena, com todos nossos desejos realizados, sem dores e sem influência do passado, onde tudo o que queremos se torna possível. Assim, entre a nostalgia e lembranças do passado, e a certeza ou incerteza de um futuro bom, deixamos de viver o presente, perdendo a chance de realmente construir esse futuro que tanto queremos. 

Quando nos apegamos ao passado e vislumbramos demasiadamente o futuro, o presente acaba se tornando o berço para o nascimento excessivo de expectativas, transformando o futuro em um caminho cheio de deveres, onde cada passo em falso nos gera frustração e mais ânsia, estabelecendo assim um circulo vicioso dominado pela ânsia. 

Certamente para nós, seres humanos, que já estamos condicionados a viver com a ânsia constantemente dominando nossos pensamentos e vontades, a mudança de paradigma não é nada fácil. É difícil não se apegar, é difícil perder, é difícil não criar expectativas, mas o primeiro pensamento que traz certa calmaria e é de uma simplicidade assustadora, é o de que nada dura para sempre, é ter a certeza de que para cada perda, o mundo trata de nos dar alguma coisa boa em troca, sendo necessário para isso, ficarmos de olhos bem abertos, encarar a perda, não se esconder no passado ou no futuro, não permitir que a ânsia controle o presente. Quando formos capazes de viver esse sentimento livremente, alcançaremos outro nível de sabedoria e poderemos levar uma vida plena, sem preocupações desnecessárias, sem nos preocupar com coisas que não podemos controlar, coisas que nunca serão nossas, coisas que apenas nos ensinam a sermos pessoas melhores.