domingo, 28 de setembro de 2014

Eu, meus pensamentos e uma noite de chuva

A verdade é que nunca mais te encontrei.

Mesmo te procurando em outros rostos, outros olhares, outras bocas, outros beijos, outros corpos.. mesmo vasculhando cada gesto, cada palavra, cada sensação, cada nuance de sentimento;

A verdade é que temo nunca mais te encontrar, nem mesmo em você mesma;

A verdade é que te reinventei tornando-te meu lar.. tornando-te minha esperança.. a realização do meu sonho.. o porto seguro da minha dúvida.. o abrigo do meu desamparo..

Se o amor não existe,  por que existirá uma vontade tão poderosa? uma atração tão contundente? uma força que move meu querer.. meu espirito.. Terá razão Aristófanes quando disse que uma metade me falta? Que somos apenas metade a procura da completude?

Já faz muito tempo.. tanto tempo exilado, tanto tempo escondido.. tanto tempo mas não o bastante.. não para ofuscar teu sorriso fácil, doce e lindo.. tua contagiante alegria com gosto de ontem. Tanta água já passou por esse rio.. mas teu perfume continua vivo, intenso, insuportavelmente tentador.. quanta tolice.

Hoje, como em incontáveis vezes, te encontrei num bilhete velho, simples, banal, uma bobagem assinada te amo.

Hoje te encontrei naquela música que me lembra você.. e são tantas, e são tão belas, e são tão fáceis.. que sempre me brindam.

Hoje te encontrei num sonho bom, onde a realidade era quase a mesma de agora, exceto uma vírgula substituindo um ponto... ah, que virgula bem vinda, como é bom acordar com o teu gosto..

Hoje te encontrei nessas palavras.. nesse texto.. no meu pensamento.. nesses versos tortos que mexem apenas comigo.. que fazem sentidos apenas na minha cabeça, diante das minhas lembranças e circunstâncias.. na liberdade de expressar-me sem um alvo definido, sem entregar a verdade para quem lê, se é que alguém lerá!

E você quem é? é real ou um devaneio, fruto do meu exílio?

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Justo universo

O mundo terá tantos pesos e tantas medidas quanto o número de cabeças pensantes que nele existirem. Se o pluralismo parece um fim inevitável através do caos, o totalitarismo é um inevitável fim através da ordem justificando a morte da vida. Quando a frase - O home é a medida de todas as coisas - for compreendida e aceita na mesma medida em que cada ser é um universo singular, particular e impenetravel, o ser humano finalmente se ajustará no universo e perceberá que ele, o universo, sempre lhe foi justo, o que não era, era sua própria percepção.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sobre o destino

Trecho retirado do livro  Medo líquido p.173 - Zygmunt Bauman sobre destino:

A idéia de "destino" implica não tanto na natureza peculiar dos golpes que traz quanto a incapacidade humana de prevê-los, que dirá previni-los ou controlá-los. Implica a impotência e o infortúnio das vítimas, mais que a particular crueldade do dano e da perda. O "destino" destingue-se dos outros desastres por atacar sem aviso e por ser cego àquilo que suas vítimas fazem ou deixam de fazer para escapar aos seus golpes. O "destino" sempre representou a ignorância e a impotência humanas, e devia seu poder tremendamente assustador a falta de recursos de suas vítimas.