Ao contrário do que se quer achar, a realidade é que somos seres completamente incompreendidos fora de nosso mundo particular. Cada pessoa é um universo completo e único, com um auto grau de complexidade no tocante compreensão. O fato é que ninguém pode sentir o que sentimos ou verdadeiramente entender o que tentamos fazer entender. Ninguém conhece nossos pensamentos mais sombrios, nossos princípios e valores, nossa razão ou nosso fervor, e é por isso que nossa felicidade ou nossa dor não podem, de fato, ser compartilhadas de maneira satisfatória.
Quanto mais iludidos ficamos com a ideia da felicidade completa, da perfeição, que possa existir uma realidade menos cruel, mais sofremos, mais nos frustramos, mais sentimos o quanto nossa solidão é pesada. Os contos, histórias e lendas que ilustram a tão sonhada realização sentimental, infelizmente, foram criados para nos mostrar o quanto somos limitados, "defeituosos" nesse sentido, o quanto perseguimos uma realidade inventada, tornando difícil para nós mesmos pensar, conceber e se contentar com o que parece ser tão pouco, temos que nos contentar com o nossa realidade diante da ilusão, com a solitária incompreensão, é difícil encarar o egoísmo que envolve uma relação em ambos os lados, encarar que somos apenas moedas de troca, descartáveis pelos desejos, poderíamos dizer, pelos instintos.
Expectativas.. ilusões.. que alimentam nossa vaidade, nosso egoísmo, e são grandes inimigos do pensamento racional.. expectativas são sinônimos de frustração, pois sempre se apresentam irreais, tentando passar por cima da imperfeição inerente a nossa realidade, projetando relações perfeitas, situações perfeitas, sentimentos soberbos e completos, porem inexistentes. O peso da moral, das crenças, da humanidade em si, nos faz travar lutas intensas entre nossa razão e nossa emoção, lutas onde na maioria das vezes a razão ganha, apresentando seu interminável arsenal de argumentos, mas ela, a razão, mesmo vitoriosa e soberba, não consegue provocar, em nós, o efeito provocado pela vitória do sentimento. Ou seja, será que a razão, de fato, alguma vez ganha? Ou será o sentimento quem desiste, então o que sentimos não é a vitória da razão, mas sim a desistência do sentimento? A razão criada pelos homens é tão distinta dos sentimentos que me pergunto se podem coexistir em nosso intimo mais solitário. A razão parece como uma fina capa lançada sobre nosso sentimentos, onde em qualquer brisa, quente ou fria, é exposta nossa incapacidade de sermos racionais diante de nós mesmos, a incapacidade de controlarmos um sentimento a tal ponto de elimina-lo. Talvez a razão seja apenas mais uma ilusão como tantas outras criadas pela humanidade para tentar ludibriar nossos instintos.
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