sábado, 21 de setembro de 2013

A globalização, redes sociais e os excessos humanos


Ao assistir o vídeo Ser, Ter ou Parecer? do Psicoterapeuta Flávio Gikovate senti como se reafirmasse minhas crenças sobre os tempos atuais, sobre a vaidade inerente a vida humana, que ao meu ver é o estopim de qualquer outro sentimento, e a troca de valores que ocorreram em virtude da globalização. Abaixo vou deixar o link para o vídeo a quem interesse. Primeiramente queria dizer que os pensamentos aqui expostos são meus, e ao que me parece, vão de encontro ao assunto tratado no vídeo, que apresenta uma visão bem parecida com a minha. Apenas deixo o vídeo para não me valer das palavras do autor do vídeo.

Não podemos negar que a tecnologia é de grande valia nos tempos modernos, sem desmerece-la, e sim, evidenciando a excentricidade humana, essa mesma tecnologia que nos é útil, também está acabando com as relações humanas, minimizando o valor do ser humano e pulverizando nossos pensamentos sobre como ser, o que ter e ainda nos instigando a relacionar-se de maneira efêmera e fútil. Analisando as redes sociais, ou mais especificamente, o Facebook, que ganha grande forma entre as novas formas de relacionamentos. Também não podemos negar que é uma ferramenta ótima quando usada moderadamente, dito isso vamos deixar de lado seus "benefícios". O grande problema é que o ser humano, ou pelo menos a grande maioria, não sabe viver sem excessos, e transforma o Facebook num lugar onde a vaidade, nosso sentimento mais competitivo, passeia livremente, tanto que as pessoas acabam acreditando que suas vidas realmente são o que elas mostram na rede social. Vemos pessoas andando por lá com seus julgamentos e seus intelectos elevados, desrespeitando o senso comum e impondo determinadas morais e éticas, que nem elas são capazes de cultivar. Apesar de não parecer, ao analisarmos a situação, lá podemos ver o pior das pessoas, podemos constatar a grande felicidade intima de cada um, ou poderíamos chamar de grande prazer, na ridicularização de outro ser humano, o prazer com a desgraça ou humilhação de outros, podemos ver o quão importante é a opinião alheia sobre suas vidas, se não mais importantes do que suas próprias opiniões. Será que para sermos felizes precisamos expor cada passa de nosso vida em uma rede social? Qual a real importância de alimentar essa necessidade de exposição, de ter sua vida assistida? Em tempos onde muito se fala em liberdade, será que a privacidade está se tornando um bem que poucos querem ter? 

Isso leva a questão inicial do vídeo, Ser, Ter ou Parecer. Através da história podemos perceber que em um não tão distante passado, as pessoas prezavam sua privacidade e preocupavam-se em engrandecer seu intelecto, seu caráter, sua vida como um todo, em busca de um "objetivo maior" por assim dizer, mais do que apenas objetivos financeiros ou bens materiais. Mas isso vem mudando com o advento das industrialização, o crescente desenvolvimento da tecnologia e a super população mundial. Nesse cenário ficou mais difícil ganhar destaque nesse meio, estamos num tempo onde a auto-realização parece inalcançável, sendo que a tecnologia engole tudo que vê por meio das grandes empresas, com isso, hoje temos as grandes potências mundiais por trás dos grandes feitos do nosso século. Quanto a isso, podemos olhar na história, e veremos que até meados do século XIX, os grandes feitos eram relacionados a cabeças pensantes, pessoas como eu ou você, pessoas que buscavam realizações verdadeiras, muitas vezes sem grandes objetivos financeiros. Agora no século XXI, com a globalização estabelecida e a indústria nos impondo regras, apesar dos grandes feitos ainda ficarem por conta das cabeças pensantes, apenas vemos as grandes empresas levando o mérito, elas querem ter suas marcas vinculadas a grandes feitos, ignorando nosso intelecto e nossa força como seres humanos. Chegamos assim, a única opção da humanidade, que não sabemos até que ponto chegará, que é o consumismo, o mais do mesmo, a obsolescência programada, a vaidade e a superficialidade tomando conta do planeta, um lugar onde ninguém tem sua originalidade, todos devem ter o que está na moda e fazer o que as celebridades fazem. O viver na sua forma mais simples, não tem sentido, contemplar a natureza, apreciar a arte, a criatividade não tem mais espaço no mundo consumista, pois o bom mesmo é trabalhar muito e ganhar rios de dinheiro, já que precisamos garantir o futuro. Alias, essas história de garantir o futuro também foi criada pela indústria e já está intrincada no subconsciente de nossa geração, que vive esperando um futuro que nunca chega. Voltando as redes sociais, onde vemos o reflexo de todo esse processo que toma forma a séculos, e hoje, mais do que nunca, ganha sua total força em nossa geração, uma geração marcado por exageros, por excessos, por vidas vazias e sem sentido, por pessoas quem não conhecem privacidade, sabem julgar a todos mas não a si mesmo, sabem criar uma vida virtual virtual que não existe, buscando amparo e esconderijo em relações superficiais, mas não sabem se perguntar se isso é bom ou ruim, e nem mesmo o por que de tudo isso. Muitos não sabem o que querem, não param nem para ouvir seus desejos mais íntimos, apenas seguem em uma marcha que leva ao colapso do ser humano.



http://www.youtube.com/watch?v=omQFSd6tLM0


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