O futuro exerce uma pressão tão esmagadora sobre a humanidade que sufoca qualquer possibilidade de uma vida plena no presente, tirando de cada momento sua essência, a força e o peso que lhe é de direito. Os dogmas do passado sufocam nosso intelecto, desvanecendo nossa liberdade de pensamento com sua "moralidade superior", e trazem consigo uma bagagem de valores e crenças demasiada de mais para nós, humanidade, que cada vez mais luta para livrar-se de antigos pensamento que nos "ensinam" a sempre ter fé no futuro, onde tudo será belo e maravilhoso, que existe um bem e um mal, um certo e um errado universal, que existe um lugar melhor do que este que estamos. Por que há de existir lugar melhor? Por que devemos acreditar que o universo nos serve? Que somos a peça mais importante do quebra cabeças do universo? Que direito temos de pensar que somos nós a raça evoluída? Certamente, nós, humanidade, inventamos e tomamos isso tudo como verdade. Talvez sem essas "muletas" o caos se instale nas mentes fracas e tudo perca o sentido, ou talvez, possamos viver livremente por nós mesmos.
Sabemos que os únicos capazes de julgar a humanidade, é o próprio ser humano, já que nada que conhecemos pode comparar-se ao seu intelecto. Mas com que bases e modelos de certo e errado podemos nós o fazer? Quem pode julgar a ação de um animal que segue seus instintos na maior parte do tempo? Como podemos pensar que os fins anulam os objetivos ou as causas? Como podemos passar por cima de milhares de anos de evolução do pensamento e do comportamento, sendo que nem os entendemos plenamente? Seria toda a moralidade herdada, que nos impulsiona para o futuro, uma visão limitada de um ser humano limitado?
Tudo é vago, tudo é incerto, toda certeza é facilmente derrubada, toda ética e moral, inclusive a nossa, tem em sua concepção, em seu intimo, um pensamento egoísta e perturbador, um lugar comum que preferimos não conhecer ou simplesmente fingimos não existir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário